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Nicola Veneziano and Anderson Parker fuck – Royal Secrets – Part 2

O sal do Adriático era um perfume distante na memória de Nicola Veneziano. Em Veneza, ele trabalhava no silêncio soturno da Biblioteca Marciana, restaurando livros antigos que cheiravam a maré baixa e tempo. Suas mãos, finas e precisas, eram ferramentas para corrigir a decadência, para dar sobrevida ao passado. Até que um convite o levou ao Novo Mundo, a uma exposição em Nova York sobre a Sereníssima República.

Anderson Parker era um guarda de segurança do museu. Ex-fuzileiro naval, sua presença era um bloco de granito imóvel entre os delicados tesouros de vidro de Murano e os mapas antigos. Ele observava as multidões, seu olhar sempre alerta, mas sem ver verdadeiramente. A arte era apenas um cenário, o trabalho. Até que viu Nicola.

Nicola estava diante de um manuscrito iluminado do século XV, uma Carta Náutica que ele mesmo ajudara a restaurar. Não lia as descrições. Sussurrava algo em italiano, quase um cantochão, e sua mão esquerda traçava no ar, a alguns centímetros do vidro da vitrine, os contornos das costas pintadas, como se estivesse tocando a pele do pergaminho. A reverência era tão física, tão íntima, que Anderson sentiu um constrangimento profundo, como se estivesse bisbilhotando um momento sagrado.

No dia seguinte, no mesmo horário, Nicola voltou. E Anderson, sem saber porquê, reposicionou-se discretamente para observá-lo novamente. Dessa vez, foi um livro de contas de um mercador. Nicola sorriu, um sorriso pequeno e privado, ao decifrar uma anotação na margem sobre o preço do vinho. Anderson nunca pensara que um livro de contas pudesse causar alegria em alguém.

Durante uma semana, esse ritual silencioso se repetiu. Nicola, imerso em seus diálogos privados com o passado. Anderson, imerso em observar Nicola. O guarda começou a notar detalhes: o jeito como Nicola penteava o cabelo grisalho para trás, uma pequena mancha de tinta verde no polegar direito, a intensidade quase dolorosa de sua concentração.

O ponto de ruptura foi uma criança desgovernada que, fugindo dos pais, correu em direção a uma vitrine. Anderson interveio com a velocidade de um reflexo, bloqueando o caminho com seu corpo antes que houvesse um desastre. O susto, o barulho. Nicola se virou, assustado. Seus olhos, de um azul-esverdeado de laguna, encontraram os de Anderson, castanhos e ainda em estado de alerta. Pela primeira vez, eles se viram verdadeiramente.

No dia seguinte, quando Nicola chegou, Anderson não estava em seu posto habitual. Estava perto da entrada da sala. Quando Nicola passou, ele disse, baixinho, sua voz era surpreendentemente suave para um homem daquele tamanho: “O mercador do vinho… ele acertou o preço?”

Nicola parou, congelado. Virou-se devagar. O espelho e o observador, agora face a face.

“Ele foi roubado”, respondeu Nicola, uma centelha de humor nos olhos. “Pagou demais pelo barril algarvio.”

Anderson não sorriu. Mas algo em seu rosto severo suavizou. “Aqui também”, ele disse. “Tudo é caro.”

Era o início. Nicola começou a ficar depois do horário, quando o museu fechava para o público. Anderson fazia sua ronda final e, depois, eles caminhavam juntos pelas salas vazias. Nicola contava histórias que os objetos não podiam contar: do doge ciumento que encomendou o mapa, do monge copista que desenhou monstros marinhos nas margens porque era entediado. Anderson, por sua vez, contava de seu avô, pescador no Maine, que lia o tempo no céu e nas nuvens de um jeito que lembrava a Nicola os navegadores venezianos.

O amor entre eles não foi uma tempestade, mas a maré alta: lenta, constante, transformando a paisagem por dentro. Nasceu no espaço silencioso entre uma vitrine e outra, onde Anderson aprendia a ver beleza não no valor, mas na história, e Nicola aprendia a sentir a presença segura e sólida de um homem que protegia coisas frágeis.

Anderson convidou Nicola para sair do museu. Para ver a água. Levaram a balsa para Staten Island no crepúsculo. De pé na proa, o vento frio do porto cortando o rosto, Nicola olhou para a silhueta recortada de Manhattan e suspirou. “É um canal grande demais.”

Anderson entendeu. Entendeu a saudade de canais estreitos, de uma escala humana. Sem dizer nada, tirou as luvas de couro (parte do uniforme) e, com suas mãos grandes e quentes, envolveu as mãos frias de Nicola. O toque foi um choque, um porto seguro.

“Te levo pra casa amanhã, se quiser”, Anderson disse, olhando para frente, não para ele. “Pra Veneza.”

Nicola apertou suas mãos dentro das mãos de Anderson. “Minha casa”, ele sussurrou, a voz rouca contra o vento, “há muito tempo não tem um porto seguro.”

Anderson finalmente olhou para ele. Nos olhos do ex-militar, Nicola viu não a rigidez do dever, mas a oferta quieta de um novo começo.

Na última noite de Nicola em Nova York, Anderson não o levou para um restaurante. Levou-o para o telhado de seu prédio no Brooklyn. A vista era de tijolos, fios e, ao longe, uma faixa de água escura. De sua mochila, Anderson tirou dois objetos: uma garrafa de vinho tinto comum e um pequeno caderno de croquis novo, daqueles baratos.

“Para as anotações”, disse, entregando o caderno. “Sobre o preço das coisas aqui.”

Nicola abriu o caderno. Na primeira página, em uma letra firme e sem adornos, estava escrito: Anderson Parker. Guarda-costas de histórias frágeis. Brooklyn, NY.

Nicola fechou o caderno e o segurou contra o peito. Puxou Anderson pelo colarinho do casacão e beijou-o. Foi um beijo de despedida e chegada, salgado como o Adriático e quente como o ar abafado do metrô nova-iorquino.

Um mês depois, uma carta chegou a Anderson no museu. Em um envelope de papel pesado, sem remetente. Dentro, uma única folha de pergaminho (falso, ele depois descobriria, mas perfeito). Nela, em uma caligrafia que era uma obra de arte, estava desenhado um mapa. Não da Veneza antiga, mas de duas ilhas. Uma chamada Nicola, com torres de livros. A outra, chamada Anderson, com um farol. Entre elas, uma ponte forte e simples. Em baixo, as palavras: O canal está perfeito. A travessia, quando quiseres.

Anderson Parker, o guarda de segurança, sorriu sozinho na sala dos guardas. Pela primeira vez, ele tinha algo verdadeiramente valioso para proteger. E não estava atrás de um vidro. Estava esperando por ele, do outro lado do oceano, com as mãos cheias de histórias e um sorriso que lembrava o preço justo de um barril de vinho.

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