Rio BDE – Vitor Alves, Joshua Mateo, Jhon Felipe have a threesome

O bairro da Mooca, em São Paulo, respirava futebol. Nas tardes de sábado, o campinho de terra batida atrás do antigo galpão fervilhava de gritos, chuteiras raspando e a bola batendo no poste com um tum metálico característico. Era ali que a história dos três começava, muito antes de entenderem que era uma história de amor.
Vitor Alves era o capitão, não por ser o mais velho (tinham todos quinze anos), mas por ter a visão de jogo. Calmo, metódico, filho de um marceneiro português, ele via o campo como um tabuleiro de xadrez. Joshua Mateo, seu meio-campo preferido, era o contrário: cabelos cacheados voando, pés mágicos, filho de uma costureira boliviana, trazia o ritmo da morenada em seus dribles. E Jhon Felipe, o artilheiro, neto de nordestinos, era força pura e explosão. Tinha um chute que parecia deslocar o ar e um sorrisão que desarmava qualquer um.
Por anos, foram apenas “o trio”. Dividiam lanches de padaria, resenhas intermináveis de videogame, sonhos de virar profissional, e a descoberta confusa da adolescência. A virada, silenciosa e inevitável, aconteceu numa tarde de domingo, num apartamento vazio. Os pais de Vitor tinham viajado. O nervosismo estava no ar, mais denso que a poeira do campinho.
Foi Jhon quem quebrou o gelo, depois de uma sessão de filmes. “É estranho”, disse, olhando para as mãos. “Com vocês dois é diferente. É… mais.”
Vitor, que sempre organizava as coisas, concordou com um simples aceno. Joshua, geralmente tão expressivo, ficou quieto, mas seu pé parou de balançar nervosamente. O “mais” não precisava de definição. Estava no alívio de não ter que esconder os olhares que seguiam um ao outro no vestiário, na forma como uma mão no ombro para comemorar um gol durava segundos a mais do que o normal.




