Pablo Pixx and Charlie Ferreira fuck
Na cidade litorânea de Pontal, o verão era uma promessa eterna de sol, mar e ondas de rádio AM. Pablo Pixx, conhecido apenas como “Pixx”, era o DJ misterioso da “Rádio Pirata 99.7”, que transmitia de uma van enferrujada escondida entre os coqueirais da praia deserta. Seu show, “Frequência Fantasma”, ia ao ar todas as noites, das 23h às 2h, com uma trilha sonora perfeita de surf rock, bossa rara e músicas obscuras que pareciam sussurros do oceano. Pixx raramente falava, mas quando o fazia, sua voz era um baixo suave que misturava filosofia de botequim com uma nostalgia profunda. Ninguém sabia como ele era.
Charlie Ferreira sabia. Ou, pelo menos, era a única pessoa que parecia ouvir de verdade. Ela trabalhava no turno da noite na lanchonete “Biscoito & Mar”, a única aberta 24 horas no calçadão, preparando sanduíches de pernil e servindo café para caminhoneiros e insones. A rádio pirata era sua companhia constante. Enquanto fatias de pernil sibilavam na chapa, ela ouvia cada música, cada silêncio, cada respiração quase imperceptível de Pixx no ar. Começou a anotar as músicas num caderno encardido, encontrando padrões, mensagens escondidas nas letras.




