
Na penumbra poeirenta do Museu Marítimo de Port Haven, dois homens eram guardiões de mundos perdidos. Stewart Hammond, o curador-chefe, era um homem de linhas precisas e ternos de tweed. Seu conhecimento sobre navios do século XVIII era enciclopédico, mas sua vida era meticulosamente confinada às vitrines e catálogos. O mar, para ele, era um conceito contido em mapas de bordo e registros de carga. O único risco que corria era o de uma intoxicação por mofo de papel.
Seu assistente, Jack Windsor, era seu oposto perfeito. Ex-marinheiro mercante, Jack tinha o rosto marcado pelo sol e sal, e as mãos calejadas de nós e cordas. Ele chegara ao museu depois de uma queda de um cargueiro, com uma perna que o aposentou das ondas mas não da paixão. Ele não lia sobre os navios; ele os sentia. Sabia o som de um casco rangendo sob pressão, o cheiro de uma tempestade se aproximando, e podia, segundo dizia, quase ouvir os sussurros dos marinheiros fantasmas nos objetos expostos.
O equilíbrio tenso entre o erudito Hammond e o intuitivo Windsor mudou quando uma caixa lacrada, marcada apenas com as iniciais “A.M.” e uma data de 1792, foi descoberta durante a reforma do porão. Era o Arquivo Amberson-McLeary, pertencente a um comerciante de chá obcecado por uma lenda: a Ilha dos Sussurros de Bronze, um território fantasma que aparecia e desaparecia nos mapas do Pacífico Sul, dito ser coberto por estátuas que emitiam sons com o vento.




