Oscar Scholz and Riff Dornan fuck
O silêncio na biblioteca da universidade era tão pesado que se podia ouvir o zumbido das luzes de LED. Empilhadas em uma mesa de carvalho, erguendo-se como uma pequena fortaleza de conhecimento, estavam as pilhas de livros de Oscar Scholz. Ele era a própria definição de um aluno de pós-graduação: óculos de aro fino, postura curvada e uma devoção quase religiosa às regras de formatação da ABNT. Ele estava a uma semana de entregar sua tese sobre “Padrões Sócio-Econômicos no Desenvolvimento Urbano Pós-Industrial”, e cada segundo contava.
A paz foi quebrada por um ruído estridente e distorcido, seguido por um baixo pulsante que parecia vibrar no próprio coração da mesa de carvalho. A cabeça de Oscar se ergueu lentamente, seus olhos estreitados atrás das lentes.
Do outro lado da mesa, sentado de forma relaxada como se estivesse em um bar, estava Riff Dornan. Riff usava um jaqueta de couro desgastada, tinha fones de ouvido enormes (que, claramente, não isolavam o som) e desenhava rabiscos frenéticos em um caderno de esboços. A música escapava de seus fones de uma maneira que era inegavelmente uma perturbação pública.
“Desculpe”, sussurrou Oscar, sua voz um silvo contido. “Você poderia, por favor, abaixar o volume? Alguns de nós estamos tentando trabalhar.”
Riff puxou um dos fones de ouvido, revelando um cabelo desgrenhado. “O que é? Ah, cara, desculpe. É a nova mixagem da minha banda. ‘Fúria Urbanizada’. Você não está sentindo o groove?”
“O que eu estou ‘sentindo'”, retorquiu Oscar, “é uma violação do código de conduta da biblioteca, seção 7B, sobre perturbação auditiva.”
Riff riu, um som genuíno e despreocupado. “Cara, relaxa. Tá muito tenso.” Ele olhou para a pilha monstruosa de livros de Oscar. “Desenvolvimento Urbano, hein? É sobre isso que é a sua coisa?”
“É uma tese. E sim.”
“Interessante”, disse Riff, fechando seu caderno de esboços e mostrando-o para Oscar. A página estava cheia de desenhos de prédios distorcidos, pontes que se entrelaçavam como veias e rostos gritando no concreto. “Minha próxima capa de álbum. É sobre a mesma coisa. A alma presa no aço da cidade. A loucura do progresso.”
Oscar estava prestes a dispensá-lo com outro comentário ácido quando seus olhos pausaram nos desenhos. Havia uma raiva caótica ali, mas também uma compreensão intuitiva. Era a emoção bruta que sua tese, por mais precisa que fosse, deliberadamente evitava.
“É… diferente”, concedeu Oscar, surpreso.




