PeachyyBoy gives Reno Gold a facial
A luz do final de tarde banhava o estúdio de dança em tons quentes, refletindo nos espelhos imensos que cobriam a parede. O silêncio era quebrado apenas pelo som ofegante de Reno Gold, que caíra no chão de madeira, o peito ardendo. Seu corpo, um instrumento de precisão atlética, sentia o peso de cada um dos seus dezanove anos.
“Do jeito que você está, não vai passar nem da pré-seleção,” a voz de PeachyyBoy ecoou, suave mas incisiva, do canto da sala. Ele estava encostado na barra, observando Reno com um olhar que era ao mesmo tempo crítico e paciente. PeachyyBoy, cujo nome real ninguém lembrava, era uma lenda no mundo da dança. Mais velho, com uma carreira que já havia atingido o pico e agora se estabilizara na mestria, ele era a pessoa que todos os jovens talentos queriam impressionar.
Reno encarou o teto, a frustração queimando mais que seus músculos.
“Eu consigo fazer essa sequência. Eu *pratiquei*.”
“Praticar errado é só ensaiar o fracasso, querido,” PeachyyBoy retrucou, empurrando-se da barra e caminhando até o centro da sala. Seus movimentos eram fluidos, econômicos, cada gesto carregado de uma intenção que Reno ainda não possuía. “Você está forçando a explosão. Está tentando *parecer* poderoso, em vez de *ser* poderoso. Há uma diferença.”
Reno levantou-se, o orgulho ferido. “Eu não sou fraco.”
“Nunca disse que era,” PeachyyBoy parou diante dele, seus olhos escaneando cada linha do corpo do jovem. “Mas força sem controle é só um berro. E dança… dança é uma conversa. Você está gritando, Reno. E o júri quer ouvir uma melodia.”
Ele se posicionou atrás de Reno, colocando as mãos leves nos seus ombros.
“Respira. Aqui.” Suas mãos guiaram os ombros de Reno para trás, para baixo. “O poder não vem dos braços. Vem daqui.” Uma mão pressionou suavemente o core de Reno. “E daqui.” A outra tocou a nuca dele. “É uma corrente. Você está quebrando os elos.”
PeachyyBoy então demonstrou a mesma sequência que Reno tentara. Não foi um movimento explosivo, mas uma onda de energia que nascia dos pés, subia pelas pernas, torcia o torso e se liberava nos braços e na cabeça num movimento único e irresistível. Parecia fácil. Parecia orgânico.
Reno observou, e pela primeira vez, não viu apenas passos. Viu a *intenção*.
“Tenta de novo,” PeachyyBoy ordenou, recuando. “E desta vez, não *faça* a dança. *Deixe* que ela aconteça.”
Reno fechou os olhos por um momento. Em vez de se concentrar em cada músculo, ele pensou na música. Ele sentiu o ritmo não como uma batida a ser seguida, mas como um coração a ser copiado. Ele respirou fundo, e quando se moveu, não foi com a força bruta de antes. Foi com uma precisão fluida. Aterrissou o salto, aterrissou a pirueta, e o final não foi um choque, mas um suspiro.
O silêncio que se seguiu foi diferente. Era carregado não de fracasso, mas de realização.
PeachyyBoy assentiu lentamente, um sorriso pequeno e raro nos lábios.
“Bom. Agora você não está mais gritando. Está sussurrando. E todo mundo vai ter que se inclinar para ouvir.”




