Rico Marlon and Markin Wolf fuck
A neve caía em mantos silenciosos sobre a Floresta de Pinhais Brancos, amortecendo todos os sons, exceto o rangido das botas de Rico Marlon contra a camada gelada. Ele era um homem das montanhas, seu rosto um mapa de vento e sol, e carregava nas costas uma espingarda velha, mas bem cuidada. Ao seu lado, com passos mais largos e um olhar amarelo que cortava o crepúsculo, caminhava Markin Wolf.
Markin não era um homem comum. Os caçadores da região sussurravam que ele tinha um pacto com a floresta de inverno, que ele entendia a linguagem dos lobos e que o frio não o tocava. Ele vestia uma pele de lobo cinzenta sobre seus ombros largos, e seu silêncio era mais profundo do que o da neve.
“O rasto é fresco,” disse Markin, sua voz um rosnado baixo. Ele apontou para uma série de marcas quase imperceptíveis perto de uma rocha. “É o velho urso. O que levou o bezerro dos Nielson.”
Rico assentou, confiando nos instintos do companheiro. Ele estava ali como representante do povoado, para eliminar a ameaça. Markin estava ali porque a floresta era sua casa, e um urso que perdia o medo do homem era um equilíbrio quebrado.
Eles seguiram as pegadas por horas, subindo por encostas traiçoeiras. A floresta parecia ouvir Markin, abrindo caminhos para ele. Um corvo pousou em um galho acima deles e grasnou. Markin respondeu com um grunhido curto, e a ave decolou, como se levando uma mensagem.
“Ele sabe que estamos aqui,” comentou Rico, a mão firme no coldre da espingarda.
“Tudo aqui sabe,” respondeu Markin, sem virar-se. “A questão não é se ele sabe, mas se ele ainda nos respeita.”
O rasto levou-os a uma ravina estreita, onde o vento uivava com mais força. Lá, encostado contra uma parede de rocha, estava o urso. Era um gigante prateado, magro pela fome do inverno, mas com uma ferocidade nos olhos que fez o coração de Rico acelerar. Uma velha cicatriz cruzava seu focinho, a marca de um encontro passado com o homem.
O urso rugiu, um som que ecoou pela ravina e fez a neve tremer nos galhos.
Rico ergueu a espingarda, a mira tremula. Era um tiro difícil, com o vento e a distância.
“Espere,” ordenou Markin, colocando uma mão pesada no cano da arma. Ele deu um passo à frente, colocando-se entre Rico e a fera.
O que se seguiu não foi um confronto, mas uma negociação. Markin não disse uma palavra. Ele apenas ficou parado, seus olhos amarelos fixos nos do urso. Ele emitiu um som baixo, um murmúrio gutural que não era humano. O urso parou de rugir. Ele cheirou o ar, seus olhos negros estudando a figura envolta em pele de lobo.
Era como se toda a floresta prendesse a respiraça. Rico sentiu aquele momento mágico e terrível – o momento em que a natureza decidia se a guerra ou a paz prevaleceria.
O urso soltou um bufado, baixou a cabeça e, com um último olhar carregado de um entendimento ancestral, deu meia-volta e desapareceu na cortina branca da nevasca.
Markin virou-se para Rico, seu rosto impenetrável.
“Ele não voltará. Entendeu a mensagem.”
Rico baixou a espingarda, a mão trêmula. Ele não tinha atirado, mas sentia-se mais exausto do que após qualquer caça.
“Que mensagem?” ele perguntou, sua voz um sussurro de admiração e temor.
Markin começou a caminhar de volta, deixando o urso e seus segredos para trás.
“A mensagem de que este território já tem um lobo. E que o urso é forte, mas o inverno é mais forte ainda. E nós… nós somos parte do inverno.”
Rico Marlon seguiu-o em silêncio, compreendendo que naquele dia, ele não havia caçado uma fera. Ele testemunhara algo muito mais raro: o delicado fio de respeito que ainda unia o mundo selvagem àqueles que se lembravam de como ouvi-lo.




