Igor Miller fucks Dragon Rojo – Round 2
O ar na arena subterrânea era uma sopa espessa de fumaça de charuto, suor barato e gritos sedentos por sangue. Sob os holofotes que cortavam a penumbra, dois homens ocupavam o centro do ringue de luta livre, um círculo de suor e sawdust no chão.
De um lado, Igor Miller. “O Cérebro Siberiano”. Não era um homem grande pela altura, mas sim pela largura. Seus ombros pareciam capazes de carregar o peso do mundo, e seu rosto, com uma barba russa bem aparada, era uma máscara de impessoalidade. Ele usava um simples macacão preto, sem adereços, sem cores. Seu poder não estava no espetáculo, mas na eficiência brutal. Um *shoot fighter*, um artista marcial misto em um mundo de fantasia.
Do outro lado, Dragon Rojo. Uma explosão de carisma e cor. Sua máscara escarlate, adornada com chamas douradas e chifres retorcidos, era um ícone. Seu corpo, esculpido e ágil, vestia um traje de lycra vermelha e ouro. Ele brandia uma corrente de aço para a multidão, que rugia seu nome. “¡Dragon! ¡Dragon! ¡Dragon!” Ele era o herói, o ídolo, a personificação do *lucha libre* mexicana – um balé aéreo de movimentos impossíveis e drama puro.
O árbitro deu o sinal.
Dragon Rojo não perdeu um segundo. Ele se transformou em um redemoinho de cores, saltando das cordas, executando um *arm-drag* e depois um *headscissors*, girando em torno de Igor como um demônio escarlate. Sua luta era uma narrativa, e o capítulo inicial era a velocidade contra a estaticidade.
Igor simplesmente absorvia. Ele parava os golpes com os antebraços, desviava dos saltos com pequenos ajustes de peso. Seus olhos, frios e calculistas, seguiam cada movimento de Dragon, estudando sua coreografia como um matemático estuda uma equação complexa. Ele não estava lá para entreter; estava lá para resolver um problema.
A frustração começou a crescer em Dragon. Seus golpes, normalmente recebidos com gritos de admiração, ecoavam sem efeito contra a fortaleza humana que era Igor. Ele tentou um *hurricanrana*, um movimento acrobático onde ele envolveria o pescoço de Igor com as pernas e o lançaria para trás.
Foi seu erro.
Igor, prevendo o movimento, simplesmente não cedeu. Em vez disso, ele agarrou Dragon pelos quadris no meio do ar, como se pegasse um gato pulando. A multidão emudeceu. A coreografia havia sido quebrada.
Com um rosnado surdo, Igor executou um *powerbomb* devastador, lançando Dragon Rojo contra o canvas com uma força que fez o ringue inteiro tremer.
O herói escarlate ficou imóvel por um segundo, o ar escapando de seus pulmões com um som de derrota.
Igor não se apressou. Ele era a implacabilidade personificada. Ele montou em Dragon, prendendo-o no chão. Socos curtos e pesados começaram a chover – não eram para a plateia, eram para terminar a luta. Dragon, desnorteado, tentou se proteger, mas a força de Igor era esmagadora.
Foi então que Dragon Rojo, encurralado, fez o que sabia melhor. Ele criou uma abertura. Ele cuspiu sua máscara no rosto de Igor, um ato de desespero e desrespeito.
Por um instante, a máscara de impessoalidade de Igor quebrou. Seus olhos narrowaram, uma fagulha de fúria verdadeira acesa neles. Ele pegou a máscara cuspida e a jogou para longe.
Mas aquele instante foi tudo o que Dragon precisava. Com um último suspiro de energia, ele se contorceu e aplicou um *small package*, uma rasteira de rolamento, enrolando as pernas em torno de Igor e usando seu próprio peso contra ele.
Um! Dois!
O baque da mão do árbitro no canvas ecoou como um tiro.
Igor olhou para cima, para as luzes, incredulous. Ele havia calculado tudo, controlado tudo… e foi derrotado por um truque de palco, um momento de raiva e a esperteza de um homem que sabia jogar o jogo dentro do jogo.
Dragon Rojo se levantou, ofegante, seu rosto suado e sem máscara exposto ao mundo. Ele havia vencido, mas não como um herói. Havia vencido como um sobrevivente.
Igor se levantou lentamente. Ele olhou para Dragon, não com raiva, mas com um novo respeito. Ele havia subestimado a profundidade daquela arte. Ele estendeu a mão.
Dragon, hesitante, apertou-a.
Dois mundos haviam colidido. Um saindo com a vitória, o outro com uma lição. E a multidão, que havia testemunhado a morte de uma lenda e o nascimento de uma nova rivalidade, rugiu para ambos, porque no final, mesmo a realidade mais crua não podia negar o poder de um bom espetáculo.




