Caio and Ian fuck on sofa
O silêncio no apartamento era tão profundo que Caio conseguia ouvir o zumbido da lâmpada da cozinha. Sentado no sofá, ele olhava para a tela preta da televisão, vendo seu próprio reflexo fantasmagórico. Vinte e quatro horas. Ian havia saido após a discussão, a porta batendo com um estrondo que ainda ecoava nas paredes.
Seu telefone vibrou no bolso. Coração acelerado, ele tirou-o, esperando ver o nome de Ian. Era sua mãe. *”Tudo bem, filho?”* Ele desligou a tela sem responder. Tudo estava longe de estar bem.
Ian, com seu sorriso fácil e sua impulsividade, sempre puxava Caio para fora de sua concha. Caio, por sua vez, era a âncora que impedia Ian de ser levado pela correnteza. Eles se completavam, mas às vezes, as peças se chocavam. Desta vez, havia sido forte. Palavras duras, acusações… Caio chamara Ian de irresponsável. Ian gritara que Caio era controlador.
A noite caiu, e com ela, uma ansiedade fria. Onde ele estava? Ele tinha comido? Ele… estava bem?
Caio levantou-se e foi até o quarto. No criado-mudo de Ian, havia uma pilha de livros de arte, um caderno de esboços e uma foto deles dois na praia, rindo, com o vento bagunçando seus cabelos. Caio pegou a foto, seu dedo tremendo sobre o vidro. Ele sentiu uma pontada de arrependimento tão aguda que faltou o ar.
Foi então que a chave girou na fechadura.
O coração de Caio parou. A porta abriu-se lentamente e Ian entrou, parecendo exausto. Seus olhos, normalmente cheios de luz, estavam vermelhos e cansados. Ele cheirava a vento e a noite.
Os dois se encararam em silêncio. O ar entre eles era espesso, carregado de tudo o que não tinha sido dito.
Ian quebrou o silêncio, sua voz rouca.
“Eu fui até o mirante… aquele onde a gente foi no primeiro date. Fiquei olhando a cidade.”
Caio engoliu em seco. O mirante ficava do outro lado da cidade.
“Você… foi andando?” ele perguntou, sua voz um sussurro.
Ian acenou com a cabeça, os olhos fixos no chão.
“Precisei pensar. E… eu trouxe isso.” Ele estendeu a mão. Era um pedaço de quartz que ele havia pego do chão no mirante, liso e frio.
Caio olhou para a pedra, depois para o rosto de Ian. Todo o medo, a raiva e a preocupação derreteram, deixando para trás apenas um cansaço profundo e um amor teimoso. Ele não precisava de desculpas elaboradas. Aquele gesto simples, a jornada de ida e volta através da cidade… era puro Ian. Era sua maneira de dizer que, mesmo com raiva, ele ainda se importava, ainda se lembrava.
“Eu… eu te liguei,” Caio mentiu, suavemente, sabendo que Ian saberia a verdade. Era seu jeito de pedir desculpas.
Um sorriso pequeno e triste apareceu nos lábios de Ian.
“Eu sei. A bateria acabou.”
Ele deu um passo para frente, depois outro, até estar ao alcance de Caio. Não houve um abraço dramático, apenas seus corpos se encontrando no meio da sala, cabeças encostadas umas nas outras, como se tentassem compartilhar o peso do dia.
“Eu sou um idiota,” Ian sussurrou no ouvido de Caio.
“Eu também,” Caio respondeu, sua voz abafada pelo ombro de Ian.
E naquele silêncio reconciliado, com a cidade luzindo do lado de fora da janela, eles entenderam. Não era sobre quem tinha razão. Era sobre quem estava disposto a atravessar a cidade, no escuro, só para voltar para casa.




