Sebastian Farelo (Latingogoboys) gets pounded
O ar no estúdio de Sebastian era denso, impregnado com o cheiro de tinta a óleo e aguarrás. Diante da tela, um retrato estava quase terminado. Era um homem de expressão intensa, com olhos que pareciam guardar histórias de mil noites. Sebastian não era um pintor comum; ele tinha um dom peculiar. Suas pinturas não capturavam apenas a imagem, mas um fragmento da alma do modelo.
Naquela tarde, o modelo era Farelo.
Farelo não era um homem de falar muito. Posava em silêncio, sua presença calma e sólida como um rochedo, um contraste gritante com a energia tempestuosa de Sebastian enquanto ele aplicava pinceladas rápidas e decisivas. Sebastian trabalhava com uma concentração furiosa, tentando capturar não o corpo de Farelo, mas a quietude que ele emanava – uma paz que o próprio artista tanto almejava e nunca alcançava.
Por dias, Farelo chegava pontualmente, posava sem reclamações e ia embora com um simples aceno de cabeça. Sebastian, por outro lado, mergulhava mais fundo a cada sessão. A tela se tornou uma obsessão. Ele começou a sonhar com os olhos que pintava, a sentir a calma de Farelo como um refúgio em sua própria mente barulhenta.
Num desses sonhos, Sebastian viu uma cena: Farelo, muito mais jovem, consertando um velho barco de madeira à beira de um lago, com uma paciência que o tempo não conseguia corroer. Era uma memória que não era sua.
No último dia de trabalho, quando a pintura estava essencialmente pronta, Sebastian deu uma pincelada final no fundo, acrescentando, quase sem perceber, a silhueta sutil de um barco e um lago distante. Ele nem mesmo sabia de onde aquilo veio.
Farelo se aproximou para ver o trabalho final. Pela primeira vez em semanas, sua expressão serena quebrou. Seus olhos se arregalaram por um instante, surpresos. Ele olhou para a tela, depois para Sebastian, e um sorriso pequeno e genuíno, como uma fresta de sol através das nuvens, surgiu em seu rosto.




