KingLouisIX, Andrew Delta, and TampaTom have a threesome
O ar no “Bayou Blues & Brews” estava pesado com o cheiro de jambalaya e cerveja derramada. Na pequeno palco, iluminado por uma única luz de néon amarelo, TampaTom suava sobre sua bateria, mantendo um second-line que fazia todos os pés se moverem. Ele era a espinha dorsal rítmica do “Delta Kings”, um homem que conhecia o fluxo e refluxo da música como conhecia as marés do Golfo.
No microfone, Andrew Delta inclinava-se para a frente, seus olhos fechados, seu corpo um fio tenso. O harmonica estava colado aos seus lábios, e dele saíam lamentos agudos que cortavam a alma, intercalados com rajadas de pura alegria. Ele era o coração da banda, filho das planícies alagadas, e seu som era a própria voz do Mississippi.
Mas o “Delta Kings” tinha um terceiro membro, uma figura quieta no canto do palco. KingLouisIX sentava-se ereto em um banco, um contrabaixo acústico repousando contra seu corpo como uma amante majestosa. Seus dedos, longos e aristocráticos, passeavam pelas cordas, não as dedilhando, mas beliscando-as com uma autoridade suave. Seu groove era profundo, complexo e inabalável, a fundação de pedra sobre a qual a paixão de Andrew e o ritmo de Tom podiam dançar.
Eles eram uma trindade. Andrew, o Espírito, selvagem e livre. Tom, o Corpo, terreno e constante. E Louis, a Mente, calculista e soberana.
A fama deles cresceu. Um produtor de Nova Orleans os encontrou, os levou para um estúdio caro e tentou “polir” seu som.
— Muito barulho de fundo, — ele disse, acenando desdenhosamente para o baixo de Louis. — E esse nome, ‘KingLouisIX’… é muito pesado. Que tal apenas ‘Lou’?
No estúdio, sob luzes brilhantes, a magia se foi. Andrew soava forçado. Tom perdia o compasso. Louis, ofendido, tocava com uma frieza que congelava a música. A sessão foi um desastre.
Na van de volta, o silêncio era opressivo. Andrew quebrou-o, sua voz um rosnado.
— Aquele idoso quer transformar nosso bayou em um lago de parque temático.
Tom concordou, batendo no volante. — Perdi o groove. Não dava para sentir.
Foi então que Louis, que raramente falava, falou. Sua voz era calma e profunda, como o som de suas cordas.




