Hungskater and MuscleGinger fuck – gaped
O parque de concreto pertencia a Hungskater. Desde o amanhecer, as roldanas de seus trucks riscavam o granito, ecoando no vazio do “Bowl da Serpente”. Seus movimentos eram fluidos, uma dança de risco e gravidade, com seu cabelo negro voando como uma bandeira. Ele era a alma do lugar.
Até que MuscleGinger apareceu.
Ele era uma tempestade de ruídos. Suas grunhidos ecoavam mais alto que o som dos skates, suas halteres de ferro batiam no chão com um estrondo que fazia Hungskater perder a concentração. MuscleGinger, com seus músculos salientes e uma juba de cabelo ruivo brilhante, tratava o parque como sua academia pessoal ao ar livre, ignorando completamente a arte que acontecia ao seu redor.
Por dias, foi uma guerra fria. Hungskater deslizava pelo bowl com desdém, enquanto MuscleGinger erguia pesos com um suor agressivo. Eles trocavam olhares mortais, mas nenhum dizia uma palavra.
O ponto de ruptura aconteceu em um domingo abafado. Hungskater tentou um “kickflip indy” ambicioso no corrimão mais alto. A manobra saiu pela metade. Ele perdeu o equilíbrio, e o skate voou de um lado enquanto seu corpo era projetado para o outro, direto para uma pilha de blocos de concreto.
O impacto foi seco e feio. Uma dor aguda explodiu em seu tornozelo, prendendo-o no chão.
Antes que o desespero pudesse se instalar, uma sombra enorme bloqueou o sol. Era MuscleGinger. Sem uma palavra, seu rosto endurecido de raiva transformou-se em uma máscara de preocupação. Ele se ajoelhou.
“Não mexe,” sua voz era surpreendentemente calma, um contraste total com seus grunhidos habituais. Com uma mão firme, ele estabilizou a perna de Hungskater. Com a outra, puxou o celular e chamou uma ambulância, dando a localização exata.
Enquanto esperavam, MuscleGinger não se afastou. Ele pegou a garrafa de água e ofereceu a Hungskater. “Vai ficar bem, cara. Já vi ossos quebrados piores.”
Hungskater, envergonhado e com dor, balbuciou um “Obrigado”.
A ambulância chegou e levou Hungskater. Nos dias seguintes, o parque estava estranhamente silencioso. MuscleGinger voltou a treinar, mas seus olhos frequentemente vagavam para o corrimão vazio.
Duas semanas depois, Hungskater voltou, mancando e com uma tala no tornozelo, apoiado em muletas. Ele só queria ver o lugar.
MuscleGinger o viu e, em vez de um aceno distante, foi até ele. “E aí, como está o pé?”
“Osso é forte. A humildade, não tanto,” respondeu Hungskater com um sorriso torto.
Naquele dia, não houve grunhidos nem risadas de skate. Em vez disso, sentaram-se em um banco, um com seu shake de proteína, o outro com um refrigerante, e conversaram. Descobriram que MuscleGinger, cujo nome era Kyle, era bombeiro e treinava ali depois de plantões exaustivos. E que Hungskater, na verdade Leo, era estudante de design.
O parque, outrora dividido, tornou-se um território compartilhado. E quando o tornozelo de Leo finalmente sarou, sua primeira volta no bowl foi aplaudida por Kyle. E quando Kyle conseguiu seu novo recorde no levantamento terra, foi Leo quem gritou “É isso, cara!”.
Hungskater e MuscleGinger haviam descoberto que, às vezes, os opostos não se atraem – eles se completam, encontrando uma amizade inesperada no lugar onde menos esperavam: no asfalto áspero de seu parque.




