Xiscoxx fucked by Jack Bandit
O bar “O Portão de Aço” ficava na zona de amortecimento entre o setor corporativo reluzente e os subúrbios energéticos de Neo-Kyoto. Era um lugar para almas desgarradas, onde o ar cheirava a cerveja derramada, fumaça de cigarro eletrônico e o leve odor de óleo de cyborg. Xiscoxx era uma atração fixa nas noites de sexta. Seu corpo era um mapa de modificações de baixo nível: um braço biônico com uma película de tatuagem digital, um olho cibernético que scanssionava a frequência cardíaca da plateia, e cordas vocais sintetizadas que podiam alternar entre um rosnado de baixo e um falsetto de vidro quebrado. Sua música era um lamento industrial, uma celebração raivosa da humanidade que teimava em sobreviver em um mundo de metal.
Jack Bandit não era um homem; era um furacão de couro e charme perigoso. Ele era um piloto de corrida de hoverbikes ilegais, um fantasma das pistas subterrâneas que aparecia e desaparecia deixando para trás o cheiro de ozônio e o eco de uma aposta vencida. Ele não frequentava o “Portão de Azeo” por causa da música. Frequentava pelas sombras, pelos cantos escuros onde negócios não tão legais eram feitos.
A primeira vez que ele ouviu Xiscoxx cantar, ele estava fechando um acordo por um conjunto de capacitores de plasma. A voz de Xiscoxx cortou o barulho do bar como um laser, uma linha limpa de pura, crua angústia. A letra falava de gaiolas de código e asas cortadas, e Jack, por um segundo, esqueceu o valor dos capacitores. Seus olhos, acostumados a calcular trajetórias de risco, encontraram o palco. Encontraram Xiscoxx.
Xiscoxx, por sua vez, notou o recém-chegado. Seu olho cibernético destacou Jack na multidão – frequência cardíaca baixa, postura relaxada, mas com uma tensão de mola comprimida. Um predador. Ele cantou para aquela sombra, para o perigo quieto que ele representava.
O flerte deles foi uma troca de olhares carregados através de uma sala fumarenta, um copo de whisky enviado para o palco, um aceno de cabeça quase imperceptível. Eles eram opostos magnéticos. Xiscoxx externalizava sua dor em ondas sonoras. Jack internalizava tudo, transformando em combustível para a próxima corrida arriscada.
A primeira vez que Jack falou com ele, foi depois do show. “Sua música é barulhenta”, ele disse, encostado no batente do camarim.
“O mundo é barulhento”, Xiscoxx respondeu, limpando o suor do rosto com uma toalha. “Eu só traduzo.”
Jack sorriu, um raio de sol em um rosto marcado por cicatrizes de vento e quedas. “Gosto da sua tradução.”
O amor deles não nasceu em encontros românticos, mas em garagens sujas de óleo. Enquanto Xiscoxx ajustava o software de sua próxima performance, Jack desmontava um motor de hoverbike, suas mãos habilidosas encontrando problemas que máquinas não diagnosticavam. Xiscoxx aprendia sobre a frieza necessária para enfrentar uma curva a 300 km/h. Jack aprendia que a vulnerabilidade expressa em uma canção podia ser uma forma de coragem mais intensa que qualquer manobra suicida.
Foi após uma vitória particularmente brutal de Jack, sua hoverbike fumegando e seu braço sangrando, que ele foi direto ao camarim de Xiscoxx.
“Preciso de uma música”, Jack disse, sua respiração ainda ofegante.
“Para comemorar?” Xiscoxx perguntou, seu olho cibernético analisando os ferimentos superficiais.
“Não. Para me acalmar. Só sua voz consegue.”
Xiscoxx olhou para aquele homem, um tufão de adrenalina e orgulho, admitindo que precisava de algo que apenas ele podia fornecer. Ele não pegou seu violão. Ele apenas cantou, suave, uma melodia antiga e sem palavras, uma canção de ninar para um coração selvagem.
Jack fechou os olhos e se deixou ser domesticado, por um momento, por aquele som.
No palco, na noite seguinte, Xiscoxx cantou uma música nova. Não era sobre gaiolas. Era sobre voar em formação com um furacão, sobre a estranha paz de se encontrar no olho da tempestade. Ele cantou para Jack, que estava no fundo do bar, um farol de couro e calma no meio do caos.
E Jack Bandit, o homem que nunca parava, parou. E ouviu. E se encontrou em casa.




