Lucas Rocha fucks Victor Vivone
O estúdio de Lucas Rocha cheirava a terebintina e óleo de linhaça. Cavaletes, telas e uma infinidade de tubos de tinta organizados com um rigor que contrastava com a explosão de cores de suas pinturas. Ele era um artista de pinceladas precisas, mas de um coração cauteloso, guardado sob camadas de solitude.
Sua janela dava para um prédio em frente, onde, todas as manhãs, ele via um homem se movimentando em uma varanda cheia de vasos. Era Victor Vivone. Enquanto Lucas lidava com tons e sombras, Victor lidava com a terra e as estações. Seus dias eram regar, podar e observar o crescimento lento e persistente da vida.
Foi um pássaro que quebrou a quarta parede. Um beija-flor, desorientado, bateu contra o vidro do ateliê de Lucas. Atordoado, caiu no parapeito. Sem saber o que fazer, Lucas, com o coração apertado, viu Victor, na varanda ao lado, fazer um sinal calmamente. Ele pegou um pequeno prato vermelho, encheu com água açucarada e colocou-o perto do pássaro, falando em voz baixa e doce. Em minutos, o beija-flor reviveu e partiu.
Naquele dia, sem pensar, Lucas pegou um pincel fino e, em um pequeno pedaço de tela, pintou o beija-flor e a mão gentil que o salvara. Ele levantou a tela para a janela. Do outro lado, Victor viu e, após um momento de surpresa, sorriu — um sorriso largo e quente que chegou até os olhos.




