2 tops, 1 bottom – Dato Foland, Delan Benobe & Ricky Blue

Na periferia nebulosa do Cinturão de Argos, a nave cargueira *Esperança Silenciosa* flutuava, um cadáver de metal. A bordo, o silêncio era quebrado apenas pelo sibilar do traje ambiental do Comissário Dato Foland. Seu rosto, sob o visor, era uma máscara de desconfiança glacial.
“Vazamento de radiação de baixo nível”, anunciou sua voz metálica no rádio. “Confinado ao porão de carga.”
Ao seu lado, Delan Benobe, engenheira-chefe da nave acidentada, torcia as mãos enluvadas. “Isso é impossível. Os recipientes eram seguros. Foi tudo verificado.”
Foi então que Ricky Blue surgiu da sombra de um painel aberto, uma chave de fenda dinâmica girando casualmente em seus dedos. O mecânico itinerante, conhecido por consertar qualquer coisa por um preço, tinha um sorriso tranquilo demais.
“Confinado, talvez”, disse Ricky, seu olhar passando de Foland para a pálida Delan. “Mas não vazando *de* dentro, Comissário. Está sendo *atraído*.”
Foland congelou. Delan ficou perplexa.
Ricky apontou a ferramenta para o casco. “Alguém instalou um coletor de partículas Sigma no seu escudo exterior. Muito sofisticado. Não para roubar carga… mas para *fabricar* material radioativo durante a viagem. Uma armadilha perfeita.” Ele fitou Delan. “Alguém a bordo queria que este navio fosse uma bomba relógio, e você fosse a culpada.”
O ar, já frio, pareceu congelar. A investigação de um acidente havia acabado de se tornar uma caça.




